homem com mão na cabeça, porque não fez seguro cyber

Por que empresas subestimam o orçamento de cibersegurança?

Passar longe de um ataque cibernético ainda é, para muitos gestores brasileiros, sinônimo de sorte e não de estratégia. É comum que a segurança digital apareça na planilha de custos como um item secundário, revisado por último e cortado primeiro quando o orçamento aperta. O problema é que essa lógica está cada vez mais descolada da realidade: o risco cresce, os ataques se sofisticam e o preço de não investir tem ficado alto demais para ser ignorado.

Um risco que já custa trilhões

Estudos recentes dão a dimensão do problema. Um levantamento da VULTUS Cybersecurity Ecosystem projeta que as empresas brasileiras podem perder cerca de R$ 2,2 trilhões nos próximos três anos em decorrência de ciberataques. Já uma pesquisa da PwC feita em 2025 mostra que um terço das organizações do país registrou prejuízos acima de US$ 1 milhão em incidentes recentes.

Ainda assim, segundo a Organização dos Estados Americanos (OEA), os países da América Latina investem, em média, menos de 1% do PIB em segurança cibernética, um patamar muito abaixo do observado em economias desenvolvidas.

O contraste é evidente: o risco financeiro aumenta, mas o investimento em proteção segue tímido em boa parte do tecido empresarial, especialmente entre pequenas e médias empresas, que costumam enxergar a cibersegurança como algo “para depois” ou exclusivo de grandes corporações.

No Brasil mais de 60% das empresas não possuem cobertura de riscos cibernéticos 

Analisando o cenário internacional as Benchmarks (Gartner, ISG) costumam recomendar algo entre 7% e 15% do orçamento total de TI para segurança, faixa em que a maioria das médias empresas brasileiras ainda não chega, segundo o quadro geral desses estudos.

Segundo dados da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) citados em reportagem de junho/2026, menos de 15% das empresas brasileiras possuem cobertura específica de riscos cibernéticos, mesmo com o mercado em forte expansão.

O crescimento em prêmios foi de 880% nos últimos cinco anos, e a arrecadação do setor chegou a R$ 73,6 milhões só até fevereiro de 2026 (alta de 185% no período, com indenizações pagas crescendo mais de 1.200%).

Em 2025 os  prêmios de seguro Cyber cresceram mesmo tendo havido uma retração nas taxas de risco em torno de 10%  – foram emitidos R$ 228 milhões em apólices novas e renovações.

O sistema CIC da CNseg (troca de alertas de incidentes entre seguradoras) registrou 527 alertas em 2025 e já 123 no primeiro trimestre de 2026, sinal de que o volume de sinistros também está subindo.

Mas, as pesquisas projetam uma expansão de 100% em 2027, com foco justamente em empresas de médio porte, o que indica que esse segmento ainda está longe da saturação e é visto como a próxima fronteira de crescimento do produto.

O erro de tratar segurança como despesa, não como proteção

Um erro comum entre gestores é enxergar o investimento em segurança cibernética como um gasto operacional isolado, e não como parte da gestão de risco do negócio, a mesma lógica que leva uma empresa a segurar seu patrimônio físico, sua frota ou sua responsabilidade civil.

Um vazamento de dados, um sequestro de sistemas por ransomware ou uma fraude digital podem paralisar operações por dias, gerar multas por descumprimento da LGPD, destruir a confiança de clientes e parceiros e, em muitos casos, colocar a própria sobrevivência da empresa em xeque.

É justamente para cobrir essa lacuna que o seguro cibernético vem ganhando espaço nas discussões entre CISOs, CFOs e conselhos de administração. Ele não substitui o investimento em prevenção firewalls, treinamento de equipes, backups, políticas de acesso, mas funciona como uma camada adicional de proteção financeira para quando, apesar de todos os cuidados, o incidente acontece.

Proteger não é opcional, é estratégico

Definir quanto investir em segurança cibernética não deveria ser uma decisão baseada em “quanto sobrou no orçamento”, mas em uma pergunta simples e direta: quanto a empresa está disposta a perder caso um ataque aconteça amanhã? Para a maioria dos negócios, a resposta revela que o custo de se proteger é, na verdade, muito menor do que o custo de não se proteger.

Avaliar os riscos reais do negócio, mapear os pontos mais vulneráveis e contar com um seguro cibernético adequado ao porte e ao setor da empresa são passos que ajudam a transformar a cibersegurança de item negligenciável em pilar estratégico, antes que o mercado, ou um incidente, imponha essa mudança à força.

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